O berro do guacho na mangueira
Me tirou dos pelegos um pouco antes
A brisa umedecida pela madrugada fria
Vem prosear comigo dando seu buenos–dia
Pela fresta do velho galpão
Adentra um pequeno clarão
Quem vem das bandas do nascente
Bordando de vida
Um pampa de liberdade ascendente
Já cevei meu mate
Com erva de barbaquá
Vício que trago desde guri
E que mesmo longe daqui
Melhor coisa não há
Estou atando a segunda volta
No meu lenço colorado
Olho pela janela e vejo
Um horizonte largo, verde e sem aramados.
E no alto da única coxilha a vista
No, ainda embaçado pela cerração
Desvendo numa imaginária estrada
Palco de longa e interminável cavalgada
O meu flete é o tempo que ás vezes tenta me tirar
De quando em vez, quase me derruba
Mas, ele mesmo me faz aplumar
Então, debruço minha vida vazia
Na soleira do infinito desta estrada
E descubro que, andei, andei tanto por nada

Os meus anseios outrora tão ardentes
Já não habitam mais minha alma
Perderam-se por este mundo a fora
Igualzito, como no céu, estrelas cadentes
Que gavionaram-se e sumiram no universo
E tal qual o poeta que chora
Na inspiração do seu verso
Deixo cair milhas lágrimas
Para além dos meus olhos enxergar
Retranço meus rumos e destinos
Cansei de ser andarilho teatino
Um novo tempo vou recomeçar.